segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

INCIDÊNCIA DO ICMS


Outro é o caso do ICMS, o mais exorbitante dos impostos que chega a 43% do preço da energia, ainda que declarado como 30% – por dentro, como fazem os agiotas. Se as térmicas, em maior proporção, vão funcionar o tempo todo, a incidência do ICMS e demais encargos será ainda maior para as distribuidoras, anulando todo efeito de redução conjuntural até aqui. Estados mais consumidores de energia do SE serão os 1°s interessados na redução deste imposto, para evitar a saída de indústrias, como fazem os estados mais pobres para atraí-las. Estes estados do SE são os maiores consumidores de energia do tipo térmico, como cimenteiras, cerâmicas, vidro e produção de alimentos e bebidas. Logo serão os mais interessados em gerar – de forma distribuída – a sua própria energia. Estados mais pobres do Norte e Nordeste já produzem energia hidroelétrica muito mais barata para complementar localmente térmica mais cara. Além disso, já contam com o gás natural para transformar térmicas a vapor em usinas combinadas de cogeração. Esta mudança estrutural veio para ficar e a maneira de reduzir o custo é economizar no uso mais eficiente da energia. – Não tem restrições geográficas, podendo se situar junto a carga. – É mais segura. O combustível já é uma forma de energia potencial química contida no combustível, independente do clima. Não existe sistema invulnerável a riscos. Qualquer um que pense seriamente sobre o assunto acha este é um fim desejado. Isto é um absurdo. Benefícios da modicidade têm de ser confrontados com os custos da segurança. Todos nós pagaremos por isto: não há mais ninguém para pagar. Não se trata de uma questão ideológica: faça chuva ou faça sol esta é a imprevisibilidade da natureza. Encham ou não os reservatórios, um dia o sistema será térmico como já é marcante nos países industrializados.

SISTEMA JÁ É HIDROTÉRMICO


QUEIMANDO ETAPAS A complementação por térmicas a gás de maior rendimento aumenta a eficiência no uso final da energia, especialmente aquelas do tipo combinadas que permitem a redução do combustível das antigas térmicas existentes que, necessariamente não precisam ser desativadas. Térmicas a gás são pouco mais caras do que hidroelétricas, entretanto – mesmo isoladas – tem um rendimento energético muito superior às antigas térmicas a vapor. São capazes de diversos arranjos no sentido do uso-final mais eficiente da energia: – Produz, simultaneamente, 2 tipos de energia: calor e eletricidade. – Tem rendimento e custo fixo mais baixo por serem velozes. – O combustível, é menos poluente do que outro combustível (diesel e óleo combustível, ou gasolina). USO INTENSIVO DE TÉRMICAS Certo receio do encarecimento da energia pode levar à prática conservacionista no uso final da energia e à geração própria de forma distribuída. – indústrias que utilizam gás em “calor de processo”, concorrentes das usinas térmicas deveriam também produzir eletricidade e não apenas calor como, por exemplo, cimenteiras, cerâmicas, refratários, vidro, papel e celulose, etc. – Hospitais, shopping-center, condomínios, fábrica de bebidas, etc. deveriam também produzir sua própria energia através de conjuntos combinados: geradores de reserva que produzem ao mesmo tempo calor e eletricidade. – Hospitais, shopping-center, condomínios, escolas não podem prescindir de geradores próprios: além de ficar mais em conta utilizam o calor dos gases no aquecimento de aparelhos elétricos que, indubitavelmente constitui a maior carga destas instituições.

SEGURANÇA X NODICIDADE


SEGURANÇA OU MODICIDADE TARIFÁRIA "As hidrelétricas sozinhas já não dão conta de atender a demanda do país. Já usamos termelétricas para complementar a oferta, mas o que precisamos agora é buscar térmicas com custo de combustível barato para fazer com que gerem durante todo o tempo, como fazem as hidrelétricas" (Altino Ventura). Diríamos que não só combustíveis mais baratos, mas processos mais eficientes na produção e consumo de energia. Os dois tipos de energia estão presentes em um mesmo processo de transformação. São inseparáveis: não se pode aperfeiçoar um negligenciando o outro. Se – por condição estrutural – as térmicas serão permanentes em benefício da segurança, como gastar menos com as térmicas rodando muito? A resposta está em gastar de maneira mais eficiente no uso-final da energia, ainda que com sacrifício da modicidade. Ou, em outras palavras: produzir simultaneamente os dois tipos de energia: calor e trabalho. Exemplificando: – Se vamos instalar uma térmica à gás ela deve estar junto de outra convencional a vapor para reduzir o consumo de combustível fóssil, sem que precise ser desativada. – O próximo leilão de energia deverá incluir pelo menos três novas térmicas movidas a carvão. O mais correto é que sejam usinas combinadas com térmicas a gás. Ambas produzindo energia com rendimento próximo de 60%, economizando o combustível da térmica convencional. – A geração distribuída por térmicas a gás junto às antigas térmicas constitui um meio eficiente de economia no uso final com redução do consumo da energia no local onde é produzida. – indústrias que utilizam gás em “calor de processo” – concorrentes das usinas térmicas no consumo do gás – deveriam também produzir eletricidade e não apenas calor como por exemplo cimenteiras, cerâmicas, refratários, vidro, etc. – Hospitais, shopping-center, condomínios, fábrica de bebidas, etc. deveriam também produzir sua própria energia através de conjuntos combinados: geradores de reserva que produzem ao mesmo tempo calor e eletricidade. É preciso queimar etapas de uma complementação pura e simples que não chegou a se concretizar dada a singularidade do SIN e passar a uma etapa mais avançada de uso maior de termoelétricas. – Usinas de biomassa deveriam ser acopladas a pequenas térmicas a gás, tanto para reduzir o consumo da biomassa como produzir eletricidade.

PRÁTICAS CONSERVACIONISTAS


Recordando a palestra proferida pelo competente engenheiro Adriano Muniz nesta tarde, aproveito para comentar proposta repetida na web para ilustrar a utilização eficiente da energia no uso final que ainda pode ser realizada (no hospital São Francisco): “Manter ligado o gerador de reserva, deixando a Cemig na reserva”. Além de sair mais em conta, providenciar a retirada do radiador e ligar serpentina ao reservatório de banho dos pacientes, que - sem sombra de dúvida- é a demanda predominante em qualquer hospital, inclusive o Einstein. O restante da carga é mínimo: iluminação e pequenos aparelhos. Certo receio do encarecimento da energia pode levar à prática conservacionista no uso final da energia e à geração própria de forma distribuída. – indústrias que utilizam gás em “calor de processo”, concorrentes das usinas térmicas deveriam também produzir eletricidade e não apenas calor como, por exemplo, cimenteiras, cerâmicas, refratários, vidro, papel e celulose, etc. – Hospitais, shopping-center, condomínios, escolas não podem prescindir de geradores próprios que produzem ao mesmo tempo calor e eletricidade. Além de ficar mais em conta utilizam o calor dos gases no aquecimento de aparelhos elétricos que, indubitavelmente constitui a maior carga destas instituições. Hidroelétricas podem operar com toda sua capacidade instalada (potência em MW) por breves períodos de ponta ou vizinhança de uma situação de risco iminente. Mas, a energia ficará cada vez mais reduzida ao tempo do período breve. A medida que a carga do sistema cresce cada vez mais as hidroelétricas – em menor proporção – vão, sistematicamente, sendo jogadas para a ponta e produzindo menos energia e, consequentemente diminuindo a necessidade de vazão regularizada para suprir esta peque produção de energia, até que caia abaixo da vazão natural dos rios. Reservatórios deixam de ter significado como produtor de energia ao sistema e passam a funcionar próximo do nível superior do reservatório garantindo potência em intervalos de tempo cada vez menores. Esta é a condição de funcionamento do sistema dos países como a China que voltaram a construir grandes reservatórios, mesmo depois de atingir predominância térmica. Daí os baixos fatores de capacidade (Usina de 3 Gargantas).

REPOTENCIAÇÃO DE HIDROELÉTRIAS


A REPOTENCIALIZAÇÃO DAS USINAS DO SUDESTE Citada como “ovo de colombo” no brilhante trabalho de Ivan Dutra talvez tenha outro significado, como o aumento da capacidade instalada quando sistema atingir a fase de predominância de térmicas e não a simples ’manutenção e modernização’. “A expansão de um sistema puramente hidráulico gera um subproduto chamado energia elétrica secundária, ou seja, aquela parcela cuja disponibilidade não se garante 95% do tempo”. Essa energia pode ser entendida como o preço que se paga ao se expandir o sistema através de fontes hídricas. Assim, a disponibilidade crescente de energia secundária acaba viabilizando economicamente a entrada de usinas térmicas. Ela entra no sistema interligado transformando parte dessa energia elétrica secundária em energia garantida, pois complementaria a geração até atingir os 95% de garantia“. Roberto D’Araujo. Agora, é a mudança estrutural para utilização permanente de térmicas na base que afasta hidroelétricas para a ponta, tornando disponíveis grandes quantidades de energia secundária, as quais produzem cada vez menos energia (mais potência em período curto). Assim, os reservatórios permanecem como uma reserva estratégica para ocasiões de extrema urgência.

TÉRMICAS NA BASE


Estamos diante de outro verão atípico imprevisível, como mostra claramente a atitude do ONS ao acionar térmicas o ano todo de 2014 de forma permanente. “Agora – depois de quase 4 meses de térmicas funcionando plenamente – os reservatórios continuam esvaziando até atingir o nível mínimo, que é quando deveriam estar iniciando. Mesmo com a permanência de térmicas ligadas pelo ano todo não há mais tempo para enchimento neste verão que está terminando. Chegaremos ao próximo verão com os reservatórios quase vazios. O acionamento de térmicas pode se tornar permanente diante da carência de locais para novos reservatórios”. Pode muito bem estar ocorrendo um fenômeno climático semelhante ao ocorrido em 1953/56 – Período Crítico – que serviu de base para o projeto do SIN, agravado agora com as mudanças climáticas. Com ajuda dos empresários – que já estão motivados – a complementação poderia ocorrer mais facilmente, sem o recurso de novas licitações. Os dispêndios públicos com térmicas de complementação poderiam ser menores quando compartilhados com as empresas. Não se trata apenas da questão de custo: A presidente persegue a modicidade – um objetivo desejável – com o sacrifício da segurança.

sábado, 6 de dezembro de 2014

O RETORNO DO FILHO PRÓDIGO


TSUNAMI II: O RETORNO DOS DÓLARES O “Tsunami I” – que tanto irritou a presidente – produziu a valorização do Real frente ao Dólar e levou ao consumo de bugigangas importadas. No passado recente o país temia o “tsunami de dólares” e reduziu taxa de juros (Selic). Agora teme a “fuga de dólares” aumentando IOF e volta a aumentar juros (Selic) para conter inflação com recurso das reservas. Sempre soube que mais dia menos dia os dólares acabariam por voltar ao seu local de origem e porto seguro. Só não sabia quando. Desta vez – não mais como consumo de mercadorias baratas – mas como investimento. A alta do dólar foi o primeiro resultado do anúncio cauteloso da retirada gradativa do estímulo (Tsunami de dólares) pelo do presidente do FED, agora quase completo (em outubro chega a zero). O sucesso na exploração do gás de xisto nos EUA combinado com a eliminação dos estímulos traz como consequência a valorização do dólar – como já está ocorrendo – e às dificuldades da Petrobras na importação de gasolina e etanol.