domingo, 24 de fevereiro de 2013
TÉRMICAS O ANO TODO
domingo, 9 de dezembro de 2012
POLÍTICA SUICIDA
segunda-feira, 18 de julho de 2011
GAS COMO INSUMO
Um dos poucos consensos existentes entre os especialistas de energia neste momento é o reconhecimento de que a crise energética, em particular a crise nuclear que se estabeleceu no Japão após o grande terremoto do dia 11 de março, tenderá a beneficiar o mercado internacional de gás natural como a melhor alternativa de curto e médio prazo para se restabelecer o fornecimento de energia elétrica no Japão.
Adicionalmente, a produção nacional de gás natural norte-americana se recuperou a partir do shale gas o que pressionou ainda mais para baixo os preços no mercado internacional de GNL. O resultado foi o surgimento de um excesso de capacidade de liquefação e de transporte.
Enquanto países industrializados ainda têm alguma esperança na “quimera do gás de xisto”, o Brasil dá-se ao luxo de re-injetar gás natural nos novos poços ou queimá-lo simplesmente, por falta de consumidores
Mesmo com reservatórios cheios nesta época do ano o regime de operação do sistema elétrico tem sido alterado de forma a tornar a operação das centrais termelétricas a gás mais freqüente.
“Alguns fatos recentes indicam que a revisão do regime de operação do setor elétrico é exeqüível: (i) As descobertas de gás natural no mar e em terra irão disponibilizar volumes relevantes de gás natural nos próximos anos; (ii) A prática comum de despacho de centrais termelétricas por razão de segurança revela a insatisfação com o regime de operação atual do setor elétrico” (Luciano Losekann).
Mas, se o custo operacional médio é mais elevado, os riscos por acidentes climáticos são menores diminuindo a necessidade de investimentos em linhas distantes, cujos custos de capital são excessivos.
Para avaliar o efeito líquido para o setor elétrico é necessário quantificar as alterações de custo de capital e operacional resultantes da operação mais freqüente de centrais a gás.
Adicionalmente, a produção nacional de gás natural norte-americana se recuperou a partir do shale gas o que pressionou ainda mais para baixo os preços no mercado internacional de GNL. O resultado foi o surgimento de um excesso de capacidade de liquefação e de transporte.
Enquanto países industrializados ainda têm alguma esperança na “quimera do gás de xisto”, o Brasil dá-se ao luxo de re-injetar gás natural nos novos poços ou queimá-lo simplesmente, por falta de consumidores
Mesmo com reservatórios cheios nesta época do ano o regime de operação do sistema elétrico tem sido alterado de forma a tornar a operação das centrais termelétricas a gás mais freqüente.
“Alguns fatos recentes indicam que a revisão do regime de operação do setor elétrico é exeqüível: (i) As descobertas de gás natural no mar e em terra irão disponibilizar volumes relevantes de gás natural nos próximos anos; (ii) A prática comum de despacho de centrais termelétricas por razão de segurança revela a insatisfação com o regime de operação atual do setor elétrico” (Luciano Losekann).
Mas, se o custo operacional médio é mais elevado, os riscos por acidentes climáticos são menores diminuindo a necessidade de investimentos em linhas distantes, cujos custos de capital são excessivos.
Para avaliar o efeito líquido para o setor elétrico é necessário quantificar as alterações de custo de capital e operacional resultantes da operação mais freqüente de centrais a gás.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
LAVOURA ARCAICA
Não há muita diferença entre produzir cana e outros grãos, tanto assim, que convivem lado a lado.
Não há também diferença substancial entre lavoura de cana para produção de açúcar e produção de álcool. Ambos usam recursos naturais e petróleo. Gozam de subsídios ao diesel e créditos sem os quais não subsistiriam.
Ambos são processos arcaicos que remontam ao “ciclo da cana” que deixou tantos estragos ao nordeste, com a diferença que naquele tempo existia trabalho escravo e o transporte era feito por “carro de boi e tropa”. De lá para cá as coisas mudaram: vieram novas tecnologias, mas o processo continua antiquado.
Em que etapas do processo estão as principais deficiências?
BALANÇO ENERGÉTICO
Citado muitas vezes como vantagem, o rendimento energético, em termos de entrada e saída de energia, reflete apenas custos operacionais.
Nestes estão incluídos o custo do transporte da cana e gasto de combustível no processo de destilação.
Mas, não basta ter bom rendimento para ter custo final baixo. O que tem de ser levado em conta, no cômputo do custo final, é o custo de capital para o manejo de grande volume de material de baixa densidade.
É preciso levar em conta o custo de capital, sobre o qual incorrem juros que constitui a maior parcela do custo final.
TRANSPORTE TERCEIRIZADO
Em que pese o aspecto anacrônico e o incômodo que causam nas estradas – por incrível que pareça – o custo operacional do transporte da cana em estado bruto ainda é pequeno, conquanto 10 vezes mais caro do que o transporte de grãos que deixam os resíduos na lavoura.
Um treminhão, por exemplo, transporta 30 ton (40 m³) por 120 Reais, independente do fato que esteja transportando grãos ou cana. O custo é o mesmo, não importa que transporte 90% de água e bagaço e só 10% de álcool contido na cana.
Custo/ton transportada de grãos: 120/30 = 4 R$
Custo/ton transportada de álcool: 120/3 = 40 R
O custo de transportar o álcool contido será 10 vezes maior, ou seja 40 R$/ton, que representa incidência de apenas 3% sobre o preço de 1400 R$/ton do álcool posto na usina.
GASTO DE COMBUSTÍVEL
O transporte da água contida na cana (60%) é inevitável pela sua própria natureza, bem como o do próprio bagaço (30%).
Mas nada impede que sua extração – também inevitável -- seja acelerada pelo emprego de combustível mais eficiente.
Mas, em que pese o grande volume de água contido no caldo da cana, o processo de extração em si custa pouco porque utiliza como insumo o bagaço úmido de valor desprezível. O gasto de combustível é pequeno.
O bagaço é apenas um mal necessário. Nem oleiros o utilizam, mesmo que cedido gratuitamente a título de limpeza do terreno. Sua queima poderia ser evitada e reservada sua utilização para outros fins mais úteis.
Se fosse utilizado um combustível de maior poder calorífico, como o gás, ou o álcool de sua própria fabricação, isto refletiria de modo positivo no custo final, permitindo instalações de menor porte, inclusive caminhões a gás, ou o álcool, de menor custo de capital, as expensas do maior consumo.
Caminhões e instalações permanecem ociosos na entressafra, incorrendo juros sobre o capital empatado. Daí o motivo do transporte ser terceirizado.
CUSTO DE CAPITAL: O ELEFANTE BRANCO
Apenas 10% da cana constitui material útil transformável álcool. O resto, 90% é constituído por água, 60% e bagaço, 30%.
Tal como hidroelétricas a usina de cana de açúcar tem baixo custo operacional. Utilizam pouca mão de obra e gastam pouca energia devido ao processo mecanizado. Mas são intensivas em capital devido ao porte das instalações.
BAGAÇO COMO INSUMO
Outro foco de ineficiência é a queima do bagaço para gerar energia, mesmo que seja para produzir “calor de processo”.
Não faz nenhum sentido queimar um combustível de baixa qualidade – apenas porque é gratuito -- para gerar pouca energia em térmicas de baixo rendimento (~30%) e jogar fora 70% de energia em forma de calor e emitindo gazes. Tem que ser levado em conta o custo elevado de capital das térmicas convencionais a vapor d’água, sobre o qual incide juros: verdadeira reminiscência da revolução industrial.
A melhor solução é o emprego de termoelétrica a gás em usinas de ciclo combinado para gerar energia elétrica, ao mesmo tempo em que economiza bagaço para outros fins.
COGERAÇÃO
O que se pretende para um país em desenvolvimento, com escassez de recursos de capital?
Investir preciosos recursos em empreendimentos de grande porte da Amazônia ou utilizar gás em termoelétricas mais baratas? O mesmo acontece com as usinas de álcool e açúcar.
Utilizar bagaço para geração de energia equivale a queimar palha de café – um recurso precioso – na seca do próprio café. Bagaço é “fogo de palha”.
A simples substituição por lenha já seria um grande avanço.
A auto-suficiência em energia – proclamada como grande vantagem – é um verdadeiro “atestado de burrice”.
A cogeração pode ser o caminho.
A verdadeira cogeração é a utilização de usinas de ciclo combinado, através de termoelétricas a gás ou álcool, associadas na mesma planta às térmicas convencionais, com pleno aproveitamento da energia calorífica do combustível:
- Parte como energia eletro-mecânica útil no eixo do conjunto turbina-gerador.
- E a maior parte como energia calorífica, utilizada para economizar bagaço para fins mais úteis, entre os quais a produção de mais álcool, ou, simplesmente devolvido ao lugar de origem na forma de composto orgânico em combinação com o vinhoto.
TRANSPORTE “CARROÇA”
O transporte da cana em estado bruto é altamente ineficiente quando comparado ao de outros grãos que transportam apenas o produto final, deixando os restos na lavoura.
Enquanto uma carreta transporta 30 toneladas de álcool ou grãos a granel, o comboio agrícola, usado na lavoura de cana, transporta apenas o equivalente a 3 toneladas (10%) do álcool que vai se produzido por 30 toneladas de cana. O restante do peso é constituído de água (60%) e bagaço úmido de valor desprezível (30%).
Portanto, o custo operacional por tonelada de álcool transportado é 10 vezes superior ao custo dos demais grãos. Não é por acaso que sejam usados treminhões, considerando o grande volume correspondente ao pequeno conteúdo em peso do álcool a ser produzido.
Ocorre também que na maior parte do tempo treminhões permanecem ociosos na entressafra, incorrendo juros sobre o capital empatado. Metade das viagens corresponde a retorno sem carga.
INCIDÊNCIA NO CUSTO DO TRANSPORTE:
Um treminhão faz um percurso de 20 Km para transportar 3 ton de álcool equivalente. Precisa fazer 10 viagens para transportar o equivalente a 30 ton de álcool por dia. Percorreu 400 Km e recebe 1200 R$.
Custo unitário: 1200/3 = 400 R$/ton
No mesmo dia, uma carreta faz uma viagem de 400 Km até Paulínia e transporta 10 ton de álcool puro. Percorre os mesmos 400 km e recebe os mesmos 1200 R$.
Custo unitário: 1200/30 = 40 R$/ton
Como se vê, o custo por tonelada transportada é 10 vezes maior.
Preço do álcool hidratado em 14/04:
1400 R$/ton nas usinas e 1500 R$/ton em Paulínia, evidenciando a baixa incidência do transporte no preço do álcool.
Considerando que a velocidade do comboio seja metade da velocidade da carreta -- nas condições precárias por carreadores de terra -- e a necessidades de carregadeiras auxiliares lentas, o custo do transporte da cana em estado bruto chegaria a usina a um custo 3 vezes maior do que o custo do álcool equivalente na roça.
Custo do álcool equivalente posto na usina: 1200 R$
Podemos então concluir que o transporte pesa muito em relação ao valor do produto. Fato que não acontece com da maioria dos grãos, cujo transporte se refere ao produto final, quase isento de beneficiamento.
Mas, em escala global, é o que acontece com a maioria dos produtos primários, grãos e minérios, que são interiorizados nos países de destino em condições semelhantes, depois de um passeio inútil por estradas esburacadas e navios ao redor do mundo.
PROCESSO INDUSTRIAL
Aqui também o processo não é menos primitivo. Envolve enorme gasto de energia no manejo de quantidade considerável de caldo de cana fermentada da qual deve ser extraída a água e vinhoto, um resíduo altamente poluente, para o qual dar destino adequado. Ao final do processo de destilação o resultado é a minguada quantidade de 10% de álcool, numa proporção de 7 toneladas/hectare de álcool para cada 70 toneladas/hectare de cana.
Em escala nacional, representa a manipulação de 200 milhões de toneladas de cana para a produção aproxima de 20 bilhões de litros de álcool e a ocupação de cerda de 3 milhões de hectares.
Não importa que tenha um bom rendimento em termos de entrada/saída de energia. O que interessa de fato é o rendimento em termos monetários (de dinheiro gasto). Neste caso, pode-se até dizer que o rendimento é infinito, uma vez que o insumo tem valor desprezível. Este fato reflete apenas custos operacionais.
A VERDADE DOS CUSTOS
O que de fato precisa ser levado em conta são os custos de capital de todo o processo, começando pelo custo dos veículos (treminhões), na maior parte do tempo ociosos na entressafra. A seguir o elevado custo de capital do processo de retirada da água (60%) e da remoção da pirâmide de bagaço úmido, 30%, que não tem serventia para nada, nem para oleiros.
Apesar de não ter não ter custos operacionais – uma vez que o insumo (bagaço) tem valor desprezível – não há vantagem alguma em queimar bagaço apenas porque é gratuito.
Tem elevado custo de capital de instalações -- tal qual uma usina hidroelétrica – semelhante ao das antigas térmicas a vapor que usam caldeiras para geração de eletricidade, verdadeira “reminiscência arqueológica” da revolução industrial.
Esta é a imagem real da plantação de cana para a produção de álcool ou açúcar no Brasil e não aquela maravilha que todos imaginam como tecnológica. Quase tudo fica resumido numa indústria de transporte e produção ineficientes. Salva os avanços na produtividade e no emprego de tecnologia agronômica de seleção de linhagens e da biotecnologia na produção de clones.
TIRA TEIMA
Uma prova de eficiência para as usinas de álcool seria a utilização do próprio álcool como combustível nos veículos de transporte interno e nas termoelétricas. Mas, os usineiros preferem usar o diesel subsidiado, é claro.
Não há também diferença substancial entre lavoura de cana para produção de açúcar e produção de álcool. Ambos usam recursos naturais e petróleo. Gozam de subsídios ao diesel e créditos sem os quais não subsistiriam.
Ambos são processos arcaicos que remontam ao “ciclo da cana” que deixou tantos estragos ao nordeste, com a diferença que naquele tempo existia trabalho escravo e o transporte era feito por “carro de boi e tropa”. De lá para cá as coisas mudaram: vieram novas tecnologias, mas o processo continua antiquado.
Em que etapas do processo estão as principais deficiências?
BALANÇO ENERGÉTICO
Citado muitas vezes como vantagem, o rendimento energético, em termos de entrada e saída de energia, reflete apenas custos operacionais.
Nestes estão incluídos o custo do transporte da cana e gasto de combustível no processo de destilação.
Mas, não basta ter bom rendimento para ter custo final baixo. O que tem de ser levado em conta, no cômputo do custo final, é o custo de capital para o manejo de grande volume de material de baixa densidade.
É preciso levar em conta o custo de capital, sobre o qual incorrem juros que constitui a maior parcela do custo final.
TRANSPORTE TERCEIRIZADO
Em que pese o aspecto anacrônico e o incômodo que causam nas estradas – por incrível que pareça – o custo operacional do transporte da cana em estado bruto ainda é pequeno, conquanto 10 vezes mais caro do que o transporte de grãos que deixam os resíduos na lavoura.
Um treminhão, por exemplo, transporta 30 ton (40 m³) por 120 Reais, independente do fato que esteja transportando grãos ou cana. O custo é o mesmo, não importa que transporte 90% de água e bagaço e só 10% de álcool contido na cana.
Custo/ton transportada de grãos: 120/30 = 4 R$
Custo/ton transportada de álcool: 120/3 = 40 R
O custo de transportar o álcool contido será 10 vezes maior, ou seja 40 R$/ton, que representa incidência de apenas 3% sobre o preço de 1400 R$/ton do álcool posto na usina.
GASTO DE COMBUSTÍVEL
O transporte da água contida na cana (60%) é inevitável pela sua própria natureza, bem como o do próprio bagaço (30%).
Mas nada impede que sua extração – também inevitável -- seja acelerada pelo emprego de combustível mais eficiente.
Mas, em que pese o grande volume de água contido no caldo da cana, o processo de extração em si custa pouco porque utiliza como insumo o bagaço úmido de valor desprezível. O gasto de combustível é pequeno.
O bagaço é apenas um mal necessário. Nem oleiros o utilizam, mesmo que cedido gratuitamente a título de limpeza do terreno. Sua queima poderia ser evitada e reservada sua utilização para outros fins mais úteis.
Se fosse utilizado um combustível de maior poder calorífico, como o gás, ou o álcool de sua própria fabricação, isto refletiria de modo positivo no custo final, permitindo instalações de menor porte, inclusive caminhões a gás, ou o álcool, de menor custo de capital, as expensas do maior consumo.
Caminhões e instalações permanecem ociosos na entressafra, incorrendo juros sobre o capital empatado. Daí o motivo do transporte ser terceirizado.
CUSTO DE CAPITAL: O ELEFANTE BRANCO
Apenas 10% da cana constitui material útil transformável álcool. O resto, 90% é constituído por água, 60% e bagaço, 30%.
Tal como hidroelétricas a usina de cana de açúcar tem baixo custo operacional. Utilizam pouca mão de obra e gastam pouca energia devido ao processo mecanizado. Mas são intensivas em capital devido ao porte das instalações.
BAGAÇO COMO INSUMO
Outro foco de ineficiência é a queima do bagaço para gerar energia, mesmo que seja para produzir “calor de processo”.
Não faz nenhum sentido queimar um combustível de baixa qualidade – apenas porque é gratuito -- para gerar pouca energia em térmicas de baixo rendimento (~30%) e jogar fora 70% de energia em forma de calor e emitindo gazes. Tem que ser levado em conta o custo elevado de capital das térmicas convencionais a vapor d’água, sobre o qual incide juros: verdadeira reminiscência da revolução industrial.
A melhor solução é o emprego de termoelétrica a gás em usinas de ciclo combinado para gerar energia elétrica, ao mesmo tempo em que economiza bagaço para outros fins.
COGERAÇÃO
O que se pretende para um país em desenvolvimento, com escassez de recursos de capital?
Investir preciosos recursos em empreendimentos de grande porte da Amazônia ou utilizar gás em termoelétricas mais baratas? O mesmo acontece com as usinas de álcool e açúcar.
Utilizar bagaço para geração de energia equivale a queimar palha de café – um recurso precioso – na seca do próprio café. Bagaço é “fogo de palha”.
A simples substituição por lenha já seria um grande avanço.
A auto-suficiência em energia – proclamada como grande vantagem – é um verdadeiro “atestado de burrice”.
A cogeração pode ser o caminho.
A verdadeira cogeração é a utilização de usinas de ciclo combinado, através de termoelétricas a gás ou álcool, associadas na mesma planta às térmicas convencionais, com pleno aproveitamento da energia calorífica do combustível:
- Parte como energia eletro-mecânica útil no eixo do conjunto turbina-gerador.
- E a maior parte como energia calorífica, utilizada para economizar bagaço para fins mais úteis, entre os quais a produção de mais álcool, ou, simplesmente devolvido ao lugar de origem na forma de composto orgânico em combinação com o vinhoto.
TRANSPORTE “CARROÇA”
O transporte da cana em estado bruto é altamente ineficiente quando comparado ao de outros grãos que transportam apenas o produto final, deixando os restos na lavoura.
Enquanto uma carreta transporta 30 toneladas de álcool ou grãos a granel, o comboio agrícola, usado na lavoura de cana, transporta apenas o equivalente a 3 toneladas (10%) do álcool que vai se produzido por 30 toneladas de cana. O restante do peso é constituído de água (60%) e bagaço úmido de valor desprezível (30%).
Portanto, o custo operacional por tonelada de álcool transportado é 10 vezes superior ao custo dos demais grãos. Não é por acaso que sejam usados treminhões, considerando o grande volume correspondente ao pequeno conteúdo em peso do álcool a ser produzido.
Ocorre também que na maior parte do tempo treminhões permanecem ociosos na entressafra, incorrendo juros sobre o capital empatado. Metade das viagens corresponde a retorno sem carga.
INCIDÊNCIA NO CUSTO DO TRANSPORTE:
Um treminhão faz um percurso de 20 Km para transportar 3 ton de álcool equivalente. Precisa fazer 10 viagens para transportar o equivalente a 30 ton de álcool por dia. Percorreu 400 Km e recebe 1200 R$.
Custo unitário: 1200/3 = 400 R$/ton
No mesmo dia, uma carreta faz uma viagem de 400 Km até Paulínia e transporta 10 ton de álcool puro. Percorre os mesmos 400 km e recebe os mesmos 1200 R$.
Custo unitário: 1200/30 = 40 R$/ton
Como se vê, o custo por tonelada transportada é 10 vezes maior.
Preço do álcool hidratado em 14/04:
1400 R$/ton nas usinas e 1500 R$/ton em Paulínia, evidenciando a baixa incidência do transporte no preço do álcool.
Considerando que a velocidade do comboio seja metade da velocidade da carreta -- nas condições precárias por carreadores de terra -- e a necessidades de carregadeiras auxiliares lentas, o custo do transporte da cana em estado bruto chegaria a usina a um custo 3 vezes maior do que o custo do álcool equivalente na roça.
Custo do álcool equivalente posto na usina: 1200 R$
Podemos então concluir que o transporte pesa muito em relação ao valor do produto. Fato que não acontece com da maioria dos grãos, cujo transporte se refere ao produto final, quase isento de beneficiamento.
Mas, em escala global, é o que acontece com a maioria dos produtos primários, grãos e minérios, que são interiorizados nos países de destino em condições semelhantes, depois de um passeio inútil por estradas esburacadas e navios ao redor do mundo.
PROCESSO INDUSTRIAL
Aqui também o processo não é menos primitivo. Envolve enorme gasto de energia no manejo de quantidade considerável de caldo de cana fermentada da qual deve ser extraída a água e vinhoto, um resíduo altamente poluente, para o qual dar destino adequado. Ao final do processo de destilação o resultado é a minguada quantidade de 10% de álcool, numa proporção de 7 toneladas/hectare de álcool para cada 70 toneladas/hectare de cana.
Em escala nacional, representa a manipulação de 200 milhões de toneladas de cana para a produção aproxima de 20 bilhões de litros de álcool e a ocupação de cerda de 3 milhões de hectares.
Não importa que tenha um bom rendimento em termos de entrada/saída de energia. O que interessa de fato é o rendimento em termos monetários (de dinheiro gasto). Neste caso, pode-se até dizer que o rendimento é infinito, uma vez que o insumo tem valor desprezível. Este fato reflete apenas custos operacionais.
A VERDADE DOS CUSTOS
O que de fato precisa ser levado em conta são os custos de capital de todo o processo, começando pelo custo dos veículos (treminhões), na maior parte do tempo ociosos na entressafra. A seguir o elevado custo de capital do processo de retirada da água (60%) e da remoção da pirâmide de bagaço úmido, 30%, que não tem serventia para nada, nem para oleiros.
Apesar de não ter não ter custos operacionais – uma vez que o insumo (bagaço) tem valor desprezível – não há vantagem alguma em queimar bagaço apenas porque é gratuito.
Tem elevado custo de capital de instalações -- tal qual uma usina hidroelétrica – semelhante ao das antigas térmicas a vapor que usam caldeiras para geração de eletricidade, verdadeira “reminiscência arqueológica” da revolução industrial.
Esta é a imagem real da plantação de cana para a produção de álcool ou açúcar no Brasil e não aquela maravilha que todos imaginam como tecnológica. Quase tudo fica resumido numa indústria de transporte e produção ineficientes. Salva os avanços na produtividade e no emprego de tecnologia agronômica de seleção de linhagens e da biotecnologia na produção de clones.
TIRA TEIMA
Uma prova de eficiência para as usinas de álcool seria a utilização do próprio álcool como combustível nos veículos de transporte interno e nas termoelétricas. Mas, os usineiros preferem usar o diesel subsidiado, é claro.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
NÉO-COLONIALISMO
BRASILEIRO
Os candidatos na eleição do Peru, o esquerdista “Anta, O Mala, o presidento”, e a direitista “Fugimóri, a presidenta” terão discurso semelhante. O Mala vai rever licenças ambientais da usina Inambari, tocada pela Eletrobrás. Keiko vai brigar com a Votorantin pelo aproveitamento dos resíduos de exploração do Zinco: o “Índio metálico”, elemento pouco conhecido usado em telas de LCD.
Anta já está sendo assessorado por dois marketeiros da campanha da nossa “presidenta” que quer agora internacionalizar estatais: Eletrobrás e “Correios & Telégrafos”; BNDES ajudando a turbinar empresas do governo.
No final da campanha entra em cena a figura mítica do nosso EX, explicando, com seu inegável poder de comunicação com as massas, como se faz para ganhar eleições:
“Não é bem assim, companheiros indígenas. Ninguém vai explorar os simpáticos índios e índias peruanos, nada não: podem tirar o “seu chapéu” para o companheiro Mala que é gente fina. Depois de ganha eleição, vamos mudar as coisas pra que tudo permaneça como está, do mesmo jeito que aconteceu no Brasil com o Pré-sal e Belo Monte (referência a Tancredi da obra “Leopardo”, de Tomaso de Lampeduza). Nós somos bonzinhos, o que vamos fazer é substituir o imperialismo americano por um imperialismo mais humano. Depois nós devolvemos tudo como fizemos com o companheiro Evo, com o companheiro Rafael Correa e com o companheiro bispo.
Os candidatos na eleição do Peru, o esquerdista “Anta, O Mala, o presidento”, e a direitista “Fugimóri, a presidenta” terão discurso semelhante. O Mala vai rever licenças ambientais da usina Inambari, tocada pela Eletrobrás. Keiko vai brigar com a Votorantin pelo aproveitamento dos resíduos de exploração do Zinco: o “Índio metálico”, elemento pouco conhecido usado em telas de LCD.
Anta já está sendo assessorado por dois marketeiros da campanha da nossa “presidenta” que quer agora internacionalizar estatais: Eletrobrás e “Correios & Telégrafos”; BNDES ajudando a turbinar empresas do governo.
No final da campanha entra em cena a figura mítica do nosso EX, explicando, com seu inegável poder de comunicação com as massas, como se faz para ganhar eleições:
“Não é bem assim, companheiros indígenas. Ninguém vai explorar os simpáticos índios e índias peruanos, nada não: podem tirar o “seu chapéu” para o companheiro Mala que é gente fina. Depois de ganha eleição, vamos mudar as coisas pra que tudo permaneça como está, do mesmo jeito que aconteceu no Brasil com o Pré-sal e Belo Monte (referência a Tancredi da obra “Leopardo”, de Tomaso de Lampeduza). Nós somos bonzinhos, o que vamos fazer é substituir o imperialismo americano por um imperialismo mais humano. Depois nós devolvemos tudo como fizemos com o companheiro Evo, com o companheiro Rafael Correa e com o companheiro bispo.
sábado, 30 de abril de 2011
GÁS: INSUMO PARA COGERAÇÃO
Entretanto, em lugar de contar com as expectativas do Pré-sal --cuja distribuição de royalties sequer foi apreciada pelo novo congresso – há uma alternativa modesta muito mais promissora na utilização do gás que não requer grandes investimentos.
Até aqui há uma procura de mercado para o gás dos campos terrestres que está sendo queimado por falta de opções. Com a rede de gasodutos pronta, a procura é tão intensa que os papéis se inverteram: é o mercado que procura pelo gás dos campos terrestres e do Pós-sal. Mas, esta é uma tendência acontecendo em todo mundo, não um fenômeno exclusivo do Brasil.
"Fornos a arco podem reduzir consumo de carvão fóssil em siderúrgicas" (Carajás). Único exemplo de cogeração a partir de hidroelétricas desocupadas.
Não há impedimentos legais e os atrativos econômicos são grandes. A maior dificuldade é a cultura estabelecida no governo, reguladores, concessionárias e consumidores segundo a qual apenas a geração centralizada com longas linhas de transmissão consegue, com sua escala de produção, produzir energia de baixo custo.
Hoje, há várias oportunidades de geração distribuída mais eficazes que as alternativas centralizadas, mas é preciso lutar contra as dificuldades e as normas que dificultam ou impedem sua realização. É preciso, também, informar os consumidores sobre as oportunidades abertas pelo novo modelo de exploração do setor elétrico.
Até aqui há uma procura de mercado para o gás dos campos terrestres que está sendo queimado por falta de opções. Com a rede de gasodutos pronta, a procura é tão intensa que os papéis se inverteram: é o mercado que procura pelo gás dos campos terrestres e do Pós-sal. Mas, esta é uma tendência acontecendo em todo mundo, não um fenômeno exclusivo do Brasil.
"Fornos a arco podem reduzir consumo de carvão fóssil em siderúrgicas" (Carajás). Único exemplo de cogeração a partir de hidroelétricas desocupadas.
Não há impedimentos legais e os atrativos econômicos são grandes. A maior dificuldade é a cultura estabelecida no governo, reguladores, concessionárias e consumidores segundo a qual apenas a geração centralizada com longas linhas de transmissão consegue, com sua escala de produção, produzir energia de baixo custo.
Hoje, há várias oportunidades de geração distribuída mais eficazes que as alternativas centralizadas, mas é preciso lutar contra as dificuldades e as normas que dificultam ou impedem sua realização. É preciso, também, informar os consumidores sobre as oportunidades abertas pelo novo modelo de exploração do setor elétrico.
O ELEFANTE BRANCO
ÁLCOOL COMO COMBUSTÍVEL
O Álcool foi um bom substituto da gasolina enquanto o país não produzia petróleo. Hoje, a produção de etanol vem perdendo a concorrência para outros combustíveis, especialmente o anidro, mais caro do que a gasolina.
Estados Unidos produz etanol de milho em condições precárias, graças a generosos subsídios. Mas, é uma um tipo de agroindústria tão ou mais arcaica do que a brasileira, que só um país altamente capitalizado consegue suportar. Lá, também fazem “besteiras”. Não é uma particularidade exclusiva dos brasileiros.
Entretanto, não faz sentido desmontar uma indústria arcaica que custou tanto imposto ao contribuinte brasileiro. Permanece como reserva estratégica dos “engenhos de cana de açúcar”. Ou, na melhor das hipóteses, sua tecnologia pode ser exportada para países mais pobres da áfrica. A América Latina já passou por isso e todo mundo conhece o resultado: veja Cuba.
O ELEFANTE BRANCO
A usina de açúcar pertence à mesma categoria de usinas nucleares, hidroelétricas, eólicas, usinas de biomassa, etc. nas quais o combustível é barato ou quase gratuito. Pouco intensivas em mão de obra, todas têm baixo custo operacional.
-- Nucleares utilizam quilos de urânio enriquecido, praticamente inesgotável
-- Nas grandes hidroelétricas e eólicas, água e vento são gratuitos
-- Bagaço de cana tem as próprias usinas como único mercado. É um péssimo combustível que torna lenta a extração de água. Um mal necessário, tanto quanto a água contida na cana, mas que são inevitáveis pela própria natureza do processo.
Mas, requerem grande capital para a sua construção, sobre o qual incide juros que constituem a maior parcela do custo final.
O Álcool foi um bom substituto da gasolina enquanto o país não produzia petróleo. Hoje, a produção de etanol vem perdendo a concorrência para outros combustíveis, especialmente o anidro, mais caro do que a gasolina.
Estados Unidos produz etanol de milho em condições precárias, graças a generosos subsídios. Mas, é uma um tipo de agroindústria tão ou mais arcaica do que a brasileira, que só um país altamente capitalizado consegue suportar. Lá, também fazem “besteiras”. Não é uma particularidade exclusiva dos brasileiros.
Entretanto, não faz sentido desmontar uma indústria arcaica que custou tanto imposto ao contribuinte brasileiro. Permanece como reserva estratégica dos “engenhos de cana de açúcar”. Ou, na melhor das hipóteses, sua tecnologia pode ser exportada para países mais pobres da áfrica. A América Latina já passou por isso e todo mundo conhece o resultado: veja Cuba.
O ELEFANTE BRANCO
A usina de açúcar pertence à mesma categoria de usinas nucleares, hidroelétricas, eólicas, usinas de biomassa, etc. nas quais o combustível é barato ou quase gratuito. Pouco intensivas em mão de obra, todas têm baixo custo operacional.
-- Nucleares utilizam quilos de urânio enriquecido, praticamente inesgotável
-- Nas grandes hidroelétricas e eólicas, água e vento são gratuitos
-- Bagaço de cana tem as próprias usinas como único mercado. É um péssimo combustível que torna lenta a extração de água. Um mal necessário, tanto quanto a água contida na cana, mas que são inevitáveis pela própria natureza do processo.
Mas, requerem grande capital para a sua construção, sobre o qual incide juros que constituem a maior parcela do custo final.
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