quarta-feira, 19 de junho de 2013

CALMARIA DE DÓLARES AGORA


GAS DE XISTO “Calmaria de dólares” aumenta despesa da Petrobras, mas estimula a produção nacional de etanol e de gás. Aumenta receita de exportação e diminui despesa corrente de importação “Reais trocados por dólar compram a mesma coisa aqui e acolá”. Estímulos ao consumo não perduram: um dia o equilíbrio se estabelece. A exploração do gás de xisto nos EUA registrou produção recorde em 2012, mas o sucesso não chegou ainda a refletir no preço do barril. A China ultrapassou os Estados Unidos no consumo e junto com a Índia continuam responsáveis pelo maior aumento da demanda. Europa e demais países de clima frio continuam dependentes do gás e petróleo russo. Depois da 11ª rodada – com atraso de 5 anos – a esperança brasileira agora é o gás, visto como “salvação da lavoura” para a indústria. Mas, não basta ter reserva segundo Adriano Pires. A pesquisa do gás de xisto nos EUA dura mais de 10 anos e só agora aparece os primeiros resultados. O petróleo continuará caro por mais 10 anos ainda. Não é nada fácil repetir o sucesso do gás de xisto aqui. Isso demanda tempo e grande incentivo para infraestrutura. Não existe um mercado global de gás natural dado o alto custo quando comparado ao transporte de petróleo. Por isso o mercado estabeleceu-se em base regional. É mais caro transportar gás do que petróleo e outros combustíveis líquidos.

domingo, 19 de maio de 2013

COGERAÇÃO EM HOSPITAIS E CONDOMÍNIOS


GERAÇÃO SIMULTÂNEA DE CALOR E ELETRICIDADE 12/04/2013 “A GE fechou um contrato de US$ 4,5 milhões com a Coca-Cola Andina Brasil para equipar uma unidade de engarrafamento localizada em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, com três motores Jenbacher a gás natural. Com potência total de 12 megawatts, os equipamentos serão utilizados para gerar energia e aquecimento para a fábrica, seguindo o conceito quadgeneration. Isto significa que, além das funções típicas de fornecimento de eletricidade e calor, os motores da GE permitirão a produção de água fria, dióxido de carbono (CO₂), nitrogênio e operações de engarrafamento”(COGEN). HOSPITAL SÃO FRANCISCO- CABO VERDE MINAS GERAIS Instalei um grupo gerador de reserva para um hospital e fiz a seguinte recomendação: “ligar o gerador próprio e deixar a Cemig na reserva”. Sai muito mais em conta. Além disso, o radiador foi suprimido e a água de arrefecimento foi ligada à serpentina do aquecedor central. Todo calor proveniente das perdas da queima do gás são integralmente utilizadas para o banho e roupa lavada dos pacientes, que, indubitavelmente constitui a maior demanda de qualquer hospital (70%). È o que denomina cogeração de calor e eletricidade por uma só fonte. Hotéis, condomínios e shopping centers não podem prescindir de geração própria. Além da segurança, economizam na conta de luz. Indústrias que utilizam “calor de processo” como cimenteiras, cerâmica, fábrica de alimentos e bebidas utilizam o processo cogeração em geração distribuída, para escapar do cativeiro da tarifa da distribuidora. Até usinas de biomassa utilizam para economizar bagaço, que é um combustível tão ruim que as próprias olarias rejeitam, mesmo que cedido gratuitamente.

domingo, 12 de maio de 2013

RESERVATÓRIOS CHEIOS E A DEMANDA DE PONTA


Reservatórios quase cheios é a contingência natural do sistema que se torna cada vez mais hidrotérmico. A geração hidrelétrica de ponta também poderá ser aumentada pela construção de novas unidades geradoras em poços provisionados em algumas usinas hidrelétricas já existentes (5 GW segundo a Abrage), o que torna baixo os custos para o atendimento da demanda máxima do SIN. Antes, eram térmicas a vapor de baixa qualidade técnica que garantiam ponta com combustível barato. O máximo do desperdício de energia. O tempo do combustível barato já passou. Agora, os papéis se invertem: são térmicas a gás combinadas que economizam combustível fóssil das antigas térmicas.

quinta-feira, 28 de março de 2013

térmicas permantes


TÉRMICAS NA BASE Foi o uso intensivo de reservatórios – com térmicas e outras fontes à disposição – que levou à atual falta de água nos reservatórios. Apesar de ter predominância de hidroelétricas – 70% segundo Roberto Pereira D'Araújo do MME – as usinas geram 90% da energia e apenas metade da sua capacidade térmica. Se as térmicas tivessem entrado em operação antes – ou melhor, se nem fossem desligadas antes de outubro – a situação hoje seria outra. Hoje as usinas são contratadas por disponibilidades. Ficam paradas à espera de um chamado do ONS. (Luiz Pinguelli Rosa). Ora, 20 GWmed de energia, gerados por 20GW de capacidade instalada de térmicas não podem ficar paradas a maior parte do tempo a espera do chamado do NOS. È ma quantidade expressiva de energia, ½ da energia gerada hidroelétricas em condições normais. Tomemos o exemplo de Roberto Araujo: um sistema com 70 GW de CI em hidroelétricas e 20GW em termoelétricas. As térmicas, com FC=1, podem gerar: 20 GWmédio ou 1/3 As hidros, com FC=.55, geram: 40 GWmédio ou 2/3 Total de geração térmica: 60 GWmédio ou 1/1 90% por hidroelétricas: 54 GWmédio 10% por térmicas : 6 GWmédio Isso só poderia acontecer com a utilização intensa dos reservatórios o que ocasionou o rápido esvaziamento. Por esta razão as térmicas foram ligadas – por precaução – em outubro, quando nunca deveriam ter sido desligadas. Aqui há uma diferença de 14 GWmedio fornecidos a mais por Hidroelétricas e fornecidos a menos térmicas. Hidroelétricas passaram de 40 para 54 GWmedio, enquanto térmicas reduziram de 20 para 6G GWmedio. Não se trata mais de um sistema complementado por um punhado de hidroelétricas antigas a vapor, mas de um sistema hidrotérmico com forte presença de térmicas. Para que continuem existindo essas antigas térmicas a vapor de baixo rendimento precisam ser melhoradas para que continuem funcionando com maior rendimento do conjunto. Para tanto, basta que sejam acopladas à térmicas a gás de alto rendimento e que – acima de tudo – aproveite todo o calor dos gases para finalidades térmicas. O mesmo se pode dizer das novas térmicas a gás. Precisam estar combinadas à indústria que aproveite a energia dos gases de escape: cimenteiras, fábricas de papel e celulose, indústria cerâmica, etc.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

TÉRMICAS O ANO TODO


TÉRMICAS PERMANENTES A manutenção de térmicas ligadas – por segurança –durante o ano todo é o primeiro passo para a permanência definitiva, uma vez que serão ligadas antecipadamente – também por medida de segurança – como conjecturavam alguns setores. Isto mostra a repetição do processo nos anos subsequentes, isto é: a utilização permanente de térmicas na base do sistema. “O acionamento das UTE durante todo o ano de 2013 indica que o novo paradigma hidrotérmico veio para ficar, o que exigirá um esforço muito grande da política e do planejamento energético, que terá que alterar práticas, ações, métodos e modelos computacionais”. Nivalde de Castro. Térmicas funcionando o ano todo vai permitir que parte da energia potencial economizada em reservatórios seja utilizada para o aumento de capacidade instalada e o restante para economizar combustível. São dois propósitos combinados: Energético: economia de combustível nas térmicas existentes. Potencial: incremento da capacidade instalada pela a adição de mais unidades nas hidroelétricas existentes. Esta combinação de propósitos – corriqueira nos países com predominância de térmicas – só veio ocorrer tardiamente no Sistema Elétrico Brasileiro, depois do choque no preço do petróleo importado. À semelhança das usinas de fio d’água da Amazônia – que também são projetadas com baixos fatores de capacidade – as antigas usinas hidroelétricas vão ter de passar por um processo de repotenciação e modernização.

domingo, 9 de dezembro de 2012

POLÍTICA SUICIDA


O sucesso inegável do SIN se deve a forma como foi constituído: por empresas estaduais de economia mista com participação privada. Cada empresa estadual desenvolvendo recursos potenciais compartilhados. Só depois é que ocorreu a integração através da Eletrobrás e do ONS. Foi uma realização – com muita antecedência – de uma política semelhante a da China atual: abertura do país ao capital de multinacionais como as montadoras e indústria eletromecânica. Foi o período do “milagre brasileiro” iniciado por JK. Agora o governo quer rebaixa-las ou ameaça de tomar de volta. E os acionistas como ficam? – Como podem estar em condições de investir no aumento de capacidade instalada quando o sistema como um todo atingir a fase hidrotérmica com a adição de térmicas combinadas de cogeração e novas fontes eólicas complementares, tão baratas quanto hidroelétricas recém-licitadas. – *"Não importa a cor do gato, o que importa é que ele pegue o rato" Deng Xiau Ping REDUÇÃO DE TARIFAS: MISSÃO IMPOSSÍVEL Se fosse essa a intenção, bastaria a retirada sumária de alguns encargos, o que implicaria em redução automática do ICMS e PIS/COFINS que são impostos sobre impostos. Aproveitando que as taxas de juros caíram no Brasil, o governo poderia reduzir os juros das dívidas dos Estados ou alongá-las, em troca de uma mudança que tornasse o sistema tributário mais eficiente. Só depois teria condições de baixar o preço da energia das usinas, cujos contratos seriam renovados. Forçar antes, enfraquece a capacidade técnica das empresas em um momento em que 4 apagões sucessivos ocorrem em menos de 2 meses. Isso é o que o governo realmente quer ao antecipar recursos da RGR nas suas estatais, (leia Eletrobrás), para aumentar sua participação e afastar sócios privados, tal como fez na Petrobras. O governo renuncia aos encargos e tributos para ter maior presença na Eletrobrás. O VILÃO É O ICMS O maior obstáculo à redução de tarifas está no ICMS que é cobrado várias vezes assim que troca de mão, intermediado por outras empresas. Exemplo: Cemig vende para Furnas, que fornece energia ao DME em Poços de caldas, por decisão do ONS. O ICMS é cobrado por dentro – à maneira dos agiotas – ou seja, incide sobre o próprio ICMS. Já o PIS/COFINS – que é também cobrado ‘por dentro’ – tem por base o ICMS já cobrado, ou seja, é um imposto sobre outro imposto. A título de ilustração: Se 45% do valor de face da tarifa são impostos, o restante 55% é custo. Logo, calculando apropriadamente o imposto total chegaria a mais de 80% do custo. Geração e transmissão têm custos baixos, considerando os últimos leilões. O custo é baixo, mas se não houver redundância de linhas o risco é alto. Levando em conta apenas PIS, COFINS e ICMS, já teríamos um aumento aproximado de 50% sobre geração, transmissão e distribuição. COBRANÇA POR DENTRO É AGIOTAGEM A cobrança de ICMS sobre a energia produzida por outros estados é uma forma de imperialismo exercida pelos estados mais desenvolvidos sobre os estados periféricos: uma forma de agiotagem sobre o produto de terceiros. Numa conta de 100 reais 45 são tributos e 55 é custo da energia. Calculando apropriadamente o juro sobre a tarifa resulta: Juro real = (45/55)*100 = 81,2% E, neste caso, o juro cobrado é 81% da tarifa e não 45% como indicado na conta. Considerando apenas a incidência média de 33% de [PIS + COFINS + ICMS + RGR], cobrados por dentro sobre a tarifa nominal, o juro real sobre o custo da tarifa seria aproximadamente 50% (33/67)*100, em vez de 33% como indicado na conta. A simples indicação do preço da energia na conta de luz – como pretendem os órgãos de proteção do consumidor – evidenciaria o absurdo da “cobrança por dentro”, ao contrário “da destinação para ICMS” que fazem para esconder o verdadeiro propósito da cobrança absurda. Claro que esta não é uma simples inferência: tudo que foi relatado consta – nos seus mínimos detalhes – na cartilha no syte da ANEEL sobre tarifas. pela ANEEL 1 - O foco da redução de tarifas (28%) visa em primeiro lugar o grande produtor de eletro intensivos e siderúrgicos – sobre os quais não incide ICMS – que ameaçam fechamento de fábricas em busca de outros países com tarifa mais baixa (Alcoa, CSA). Em segundo lugar serve para dar destino ao excesso de eletricidade a ser gerado pelas novas usinas licitadas na Amazônia, para o qual não existe demanda. Estão mais próximos das usinas e da alta tensão, dispensando o custo adicional da distribuição. O que é sempre mais caro. A rigor, dispensam até linhas de alta tensão se forem confinadas a região amazônica. A redução de 28% na tarifa dos grandes consumidores – além de dar finalidade para o excesso da eletricidade gerada sem necessidade – vai permitir a estocagem local desta energia em forma de insumos básicos para, posteriormente, serem derretidos pela mesma energia no período seco. Não passa pela transmissão e distribuição do sistema, evitando a cobrança de ICMS em cascata pelas concessionárias. Este é o maior dos impostos, cobrado por dentro – como fazem os agiotas – isento no caso de exportação. Mas, podem receber royalties como compensação. Nos demais, o ICMS é cobrado 'por dentro', à maneira dos agiotas, ou seja, incide sobre ele mesmo. Já o PIS/COFINS – que é também cobrado ‘por dentro’ – tem por base o ICMS já cobrado, ou seja, é um imposto sobre outro imposto. Estes vão resistir. O maior responsável pelo alto preço das tarifas foram os governos ao impor encargos e tributos (45% da tarifa). Cabe a eles a retirada de alguns para que as tarifas baixem. Não intimidar empresas como faz a ANEEL. Qualquer punição, se houver, ocorrerá ao fim dos 3 anos restantes, no novo mandato. Vale a pena correr o risco, diante da avalanche de emendas à MP que já somam 431. A maioria das empresas comunicou aceitar a renovação, outras não (CEMIG): ambas pagam pra ver os resultados. Se não forem satisfatórios sempre terão a chance do arrependimento e aguardar o vencimento. Os riscos são menores. A energia utilizada na produção de produtos eletro intensivos e siderúrgicos no Sudeste vem de grandes hidroelétricas de regiões distantes da Amazônia, que não passa pela distribuição do sistema e, portanto, mais passíveis de redução. Na Amazônia já têm tarifas reduzidas. Agora que o preço dos minérios produtores de alumínio e ferro está em queda devido ao menor interesse da China e contando com o pacote de restrições à importação, vale a pena utilizar o excesso de eletricidade no sistema para produção destes bens, ainda que para a formação de estoques. Constitui um meio de incorporar energia que seria perdida de qualquer forma. Com isso, evita a saída de grandes empresas mineradoras em busca de outros destinos.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

GAS COMO INSUMO

Um dos poucos consensos existentes entre os especialistas de energia neste momento é o reconhecimento de que a crise energética, em particular a crise nuclear que se estabeleceu no Japão após o grande terremoto do dia 11 de março, tenderá a beneficiar o mercado internacional de gás natural como a melhor alternativa de curto e médio prazo para se restabelecer o fornecimento de energia elétrica no Japão.
Adicionalmente, a produção nacional de gás natural norte-americana se recuperou a partir do shale gas o que pressionou ainda mais para baixo os preços no mercado internacional de GNL. O resultado foi o surgimento de um excesso de capacidade de liquefação e de transporte.
Enquanto países industrializados ainda têm alguma esperança na “quimera do gás de xisto”, o Brasil dá-se ao luxo de re-injetar gás natural nos novos poços ou queimá-lo simplesmente, por falta de consumidores

Mesmo com reservatórios cheios nesta época do ano o regime de operação do sistema elétrico tem sido alterado de forma a tornar a operação das centrais termelétricas a gás mais freqüente.
“Alguns fatos recentes indicam que a revisão do regime de operação do setor elétrico é exeqüível: (i) As descobertas de gás natural no mar e em terra irão disponibilizar volumes relevantes de gás natural nos próximos anos; (ii) A prática comum de despacho de centrais termelétricas por razão de segurança revela a insatisfação com o regime de operação atual do setor elétrico” (Luciano Losekann).
Mas, se o custo operacional médio é mais elevado, os riscos por acidentes climáticos são menores diminuindo a necessidade de investimentos em linhas distantes, cujos custos de capital são excessivos.
Para avaliar o efeito líquido para o setor elétrico é necessário quantificar as alterações de custo de capital e operacional resultantes da operação mais freqüente de centrais a gás.