sexta-feira, 22 de abril de 2011

LAVOURA ARCAICA

Não há muita diferença entre produzir cana e outros grãos, tanto assim, que convivem lado a lado.
Não há também diferença substancial entre lavoura de cana para produção de açúcar e produção de álcool. Ambos usam recursos naturais e petróleo. Gozam de subsídios ao diesel e créditos sem os quais não subsistiriam.

Ambos são processos arcaicos que remontam ao “ciclo da cana” que deixou tantos estragos ao nordeste, com a diferença que naquele tempo existia trabalho escravo e o transporte era feito por “carro de boi e tropa”. De lá para cá as coisas mudaram: vieram novas tecnologias, mas o processo continua antiquado.
Em que etapas do processo estão as principais deficiências?

quarta-feira, 13 de abril de 2011

CARAJÁS:

: EM BUSCA DO ELO PERDIDO

Como não é assunto de nossa alçada reproduzimos “ipsis literis” um resumo do brilhante trabalho feito pelo próprio autor a quem cabe os créditos:

Maurílio de Abreu Monteiro

O artigo analisa o processo de instalação, na Amazônia Oriental brasileira, de diversos
produtores independentes de ferro-gusa, nas últimas duas décadas. Foram implantadas no Corredor da Estrada de Ferro Carajás doze siderúrgicas. São empresas dedicadas somente à produção desta commoditie cuja produção requer elevada quantidade de energia suprida por carvão vegetal.

Neste artigo, mostramos que houve deslocamento para a Amazônia de indústrias que
até os anos 90 estavam concentradas exclusivamente no Sudeste brasileiro e que a demanda de carvão vegetal consolidou-se como principal elo de articulação da siderurgia com a socioeconomia da região de Carajás.

A produção de carvão vegetal tem acarretado muitos impactos sociais e ambientais na região Amazônica. Impactos que se materializam pela ampliação da pressão exercida sobre a floresta amazônica, por práticas ambientalmente imprudentes e pela produção do carvão vegetal sustentada por trabalho precário, mal remunerado e insalubre.

Exemplo de um cenário diante do qual se desenha como alternativa é a manutenção da fabricação de ferro gusa nos moldes atuais e a incorporação de pequenos fornos elétricos a arco para a produção de aço. Contudo, a possível instalação de mini-aciarias na região, por si só, não resolve o principal problema socioambiental que envolve o beneficiamento do minério de ferro na região, vinculado aos efeitos deletérios da produção carvoeira, podendo inclusive agravá-los.

LOBÃO E O CORDEIRO

Essa é mais uma fábula da nossa maior sumidade em matéria de energia: Lobão, o outro é claro.
Qualquer estudante de geografia sabe que reservatórios de foz não produzem efeito retroativo sobre usinas de montante (Jatobá, Cachoeira do Caí, etc.). “Águas passadas não movem moinho”.
Sobrevoei o Rio Tapajós (pelo Google é claro) e constatei que São Luiz está quase ao nível do mar numa baixa altitude. Mesmo que fosse construído um imenso reservatório das três usinas, como a foto parece indicar, a energia potencial armazenada – produto do volume pela altitude -- seria ínfima.
Ainda que existisse alguma, a interligação com outras usinas seria inútil porque ‘não há transferência de energia potencial entre rios isolados de mesmo regime sazonal’.
A região Amazônica não é uma bacia única integrada, mas um conjunto de rios isolados sem ligação física que possibilite a transferência, como nos rios do Sudeste.
È como interligar duas barras de mesma tensão em um circuito elétrico.

Em busca de carvão vegetal barato:
o deslocamento de siderúrgicas para a Amazônia*
Maurílio de Abreu Monteiro**

GATO ESCALDADO

: TEM MEDO DE ÁGUA FRIA:
Não é a 1ª vez: compraram carro a álcool e ficaram na mão por falta de combustível. Não é a disponibilidade de terra o limitante do etanol, mas o custo: gasta mais petróleo que a produção de alimentos.
O álcool não é mais um substituto da gasolina do petróleo importado. Gasolina e gás é que são subprodutos da exploração de petróleo para suprir o agronegócio, mineração e o próprio álcool. O etanol é um produto de poder calorífico inferior que gasta mais petróleo na sua própria produção e transporte da cana do que soja, milho e minério.
Intimidar produtores de açúcar com restrição de crédito não é uma boa prática. Fica feio, mas a solução é importar álcool de milho -- custeado pelo contribuinte americano -- juntar mais água e misturá-lo aqui.
"Cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça".

ÁLCOOL: CACHAÇA DOS BRASILEIROS

Não constitui surpresa que o álcool venha a se tornar proporcionalmente mais caro do que a gasolina devido ao processo industrial onde o que mais importa é o elevado custo de capital da instalação, tanto para produzir “calor de processo” como eletricidade (caldeira a vapor).

Apesar de não ter não ter custos operacionais – uma vez que o insumo tem valor desprezível -- não há vantagem em queimar bagaço apenas porque é gratuito. Requer o manejo de quantidades imensas de bagaço seco de baixo poder calorífico que nem as olarias e cerâmicas utilizam, mesmo que cedido gratuitamente a título de limpeza.

A melhor aplicação para o bagaço é o retorno a terra na forma de composto orgânico combinado com o “vinhoto” altamente poluente.

Na região cafeeira do sul e cerrado mineiro a prática é comprar bagaço a preço de banana e fazer composto com resíduos de café despolpado, um produto altamente poluente.



NOVOS PROJETOS

Não basta ter melhor rendimento energético em termos entrada e saída de energia. É preciso que tenha custos compatíveis, sobretudo custos de capital e custo do transporte da cana em estado bruto.

Para tanto, os novos projetos devem contemplar maior número de mini-usinas para evitar maiores dispêndios com o transporte da cana por longa distância.
No componente agrícola consome diesel tanto na cultura como no transporte de cana em estado bruto, cuja proporção é de 7 toneladas de produto útil (álcool) para 70 toneladas de cana praticamente constituída de água e bagaço.

Utilizar termoelétricas a gás (ou álcool) na geração de eletricidade e utilizar os gases de escape na produção de “calor de processo” de usinas novas. Ou associar – na forma de usinas combinadas -- para melhorar o desempenho das antigas e economizar bagaço para outros fins como a produção de álcool celulósico. Ou ainda, utilizar o próprio gás diretamente na produção de “calor de processo”.


OS NOVOS IMPERIALISTAS

Nos países industrializados o consumo de energia é estacionário ou o crescimento da demanda per capita é inferior ao PIB idem. Não é de admirar que se torne decrescente como decorrência do ingresso destes países na nova economia de serviços, da eletrônica e da informação: basta uma ligeira recessão ou mesmo um pouco de civilização.
Hoje, os responsáveis pelo aumento da demanda de petróleo e grandes consumidores de produtos que gastam petróleo são os países emergentes. Principalmente o Brasil que tem sua economia exportadora baseada no agronegócio e mineração, que são intensivos em capital e fortemente dependente dos subsídios ao diesel. Enquanto que o setor industrial que mais emprega é severamente castigado por tarifas escorchantes. É o único país que cobra IPI.
Na minha cidade cada rua tem uma tarifa diferente. Igualzinho o imposto de renda: quem mais produz mais paga. Na periferia é a mais baixa: proliferam os gatos e as isenções: é onde dormem com luz acesa e demoram mais nos banhos. Os tontos da avenida principal é que se preocupam em utilizar aparelhos mais econômicos no uso-final

HONORIS CAUSA

TÍTULO
Este é mais um passo na direção de transformar a
Eletrobrás na “Petrobras do setor elétrico”, cuja re-estatização rendeu bons frutos eleitorais ao atual governo. Esta foi a 1ª, mas a Eletrobrás, como 2ª, é a que mais rende impostos e encargos através das subsidiárias, responsáveis pela geração e distribuição de energia, com os quais manterem a estrutura de poder necessária às mudanças sociais: “fora do poder não há salvação”.
A 3ª é a Vale, do setor de mineração, responsável – junto com o agronegócio -- pela manutenção do superávit primário. Estes requerem subsídios aos combustíveis para se manter.
A compra da EDP atende pedido do mentor -- “a quem está indissoluvelmente ligada”, segundo declarações da própria presidenta. Juntos estiveram na cerimônia em que o ex-presidente foi agraciado com o título merecido de doutor “Honoris Causa” na Universidade de Coimbra.
Diante das dificuldades pelas quais está passando a nossa “mãe Lusitana”, só falta agora anexar Portugal ao ‘Reino Unido de Brasil & Algarves’.

PRIVATIZAÇÃO DA VALE

O novo presidente não vai ter a mesma autonomia de Agnelli, mas não mudará significativamente a estratégia seguida pela diretoria anterior. Está condicionada a permanência do preço do minério de ferro que pode não durar para sempre. Segue a mesma linha de cautela da substituição de Meireles por outro da casa. Nos dois casos a mudança é quase imperceptível.
Tudo depende de acordos políticos na programada viagem a China ocasião em que a presidente estará sozinha para tomar suas próprias decisões.
O máximo que a China pode oferecer é a venda de carvão de pedra casada com a exploração local, da mesma forma como a maioria das siderúrgicas brasileiras já fazem. Não tem futuro. Só para China, EUA e Bulgária.
Do ponto de vista técnico e ambiental o futuro está exploração descentralizada da siderurgia a carvão vegetal e cogeração de energia por meio do gás natural e fornos a arco. Mas, esta é uma alternativa descentralizada que não interessa ao governo porque escapa ao controle estatal.

ELEFANTES BRANCOS

As decantadas usinas de biomassa não são expressivas. Utilizam bagaço de baixo poder calorífico em um processo termodinâmico antiquado. O rendimento monetário pode ser grande porque usam um insumo de valor comercial desprezível que nem as olarias e cerâmicas utilizam. Não compensa o transporte.
Nem como “calor de processo” as usinas de açúcar deveriam usar, muito menos para gerar energia elétrica num processo equivocadamente chamado de cogeração.
A verdadeira cogeração é a utilização de usinas de ciclo combinado, através de termoelétricas a gás ou álcool associadas na mesma planta, com pleno aproveitamento da energia calorífica do combustível:
- Energia eletro-mecânica útil no eixo do conjunto turbina-gerador.
- Energia calorífica – considerada perdas nos gazes de escape - utilizado para economizar bagaço que, por sua vez, é reservado para produção de mais álcool, no aproveitamento integral da cana de açúcar.

No sul e cerrado mineiro o bagaço de cana tem sido usado na fabricação do rico composto orgânico fermentado com sobras de café despolpado e vinhoto por via úmida que, lançado nos rios constituem severa ameaça ao meio ambiente. No mais das vezes é utilizado como cama de aviários, pocilga e confinamento de bois. Em última instância, como cobertura morta de pastagens degradadas.

PHOENIX

EFEITO CUMULATIVO

O Brasil importa álcool anidro com 1% de água, motivo suficiente para safardanas adicionarem mais água. EUA não produz álcool hidratado porque não têm essa besteira de carro “flex”. EUA subsidia ambos: etanol de milho e gasolina para despertar economia paralisada.
Resumo da ópera:
-- aumento do componente anidro da gasolina aditivada.
-- pequena oferta de hidratado de carros flex incentivados pela isenção de IPI e prazos longos.
-- Subsídio americano a combustíveis para ativar economia paralisada
-- Política burra de juros (selic) que favorece importação pelo cambio

PHOENIX
Querida Telma

Não poderia ser mais feliz a escolha da data de 31 de março:

"Qual Phoenix, ressurgem das cinzas os novos arautos das grandes obras. Os mesmos que foram críticos de 'obras Pharaônicas' do passado autoritário e ressuscitadores de nucleares outrora cognominadas de vaga-lume. Agora, em pleno regime democrático, anunciam a reciclagem do "entulho encaixotado" de Angra III e construção de mais 4, coisa que não condiz com a gravidade do momento que o mundo atravessa, nem com a seriedade com que o imperador e 1° ministro vêm a público pedir humildemente desculpas pelo incômodo causado.

Perderam ótima oportunidade de ficarem calados. Deve ser resultado da diplomacia de elefante em loja de porcelana, característica da nossa maior sumidade em matéria de energia (o outro, é claro): "que muito fala, corre o risco de dar bom dia a cavalo.

Parabéns pela sensibilidade. “Não li, já gostei”.